Divórcio em Cartório: Quando é Possível
Veja quando o divórcio pode ser feito em cartório, de forma rápida, e quando ainda é preciso ir à Justiça.
Muita gente imagina que todo divórcio é um processo demorado e cheio de audiências. Nem sempre é assim. Desde 2007, o Brasil permite que casais se divorciem diretamente em cartório, de forma mais rápida e simples, quando alguns requisitos são cumpridos. Entender essa possibilidade pode poupar tempo, desgaste emocional e custos.
O divórcio extrajudicial
A Lei nº 11.441/2007 abriu caminho para o chamado divórcio extrajudicial, feito por escritura pública em cartório de notas. Em vez de um processo na Justiça, o casal comparece ao tabelionato, acompanhado de advogado, e formaliza o fim do casamento em um único documento.
Outra mudança importante veio com a Emenda Constitucional nº 66/2010, que eliminou a exigência de prazos de separação prévia. Hoje, não é preciso esperar um tempo determinado nem comprovar motivos para se divorciar.
Quando o divórcio em cartório é possível
Para que o divórcio possa ser feito diretamente em cartório, em regra são necessárias algumas condições:
- Consenso entre as partes: os dois precisam concordar com o divórcio e com seus termos, como partilha de bens e uso do nome.
- Ausência de filhos menores ou incapazes: tradicionalmente, a via do cartório era reservada a casais sem filhos menores ou incapazes, ou com essas questões já resolvidas na Justiça. Esse ponto vem sendo discutido e flexibilizado, então é fundamental verificar a orientação aplicável ao seu caso.
- Acompanhamento de advogado: a presença de um advogado (que pode ser o mesmo para os dois, se houver consenso) é obrigatória.
Quando ainda é preciso ir à Justiça
O caminho judicial continua necessário em diversas situações, especialmente quando:
- há discordância entre o casal sobre o divórcio ou sobre seus termos;
- existem filhos menores ou incapazes e questões como guarda e pensão ainda não foram definidas;
- há disputas sobre a partilha de bens que as partes não conseguem resolver de comum acordo.
Nesses casos, o juiz é quem vai analisar e decidir os pontos em conflito, garantindo a proteção dos interesses envolvidos, sobretudo os das crianças.
Documentos e decisões necessárias
Mesmo sendo mais simples, o divórcio em cartório envolve a apresentação de documentos e a definição de alguns pontos. Em linhas gerais, costumam ser necessários:
- a certidão de casamento atualizada;
- documentos pessoais dos cônjuges;
- documentos dos bens a serem partilhados, quando houver;
- a definição sobre a partilha do patrimônio e sobre o uso ou retorno do nome de solteiro.
A escritura pública lavrada no tabelionato tem força para produzir efeitos, permitindo, por exemplo, a averbação do divórcio no registro civil e a transferência de bens, conforme o caso.
O que acontece com os bens
A partilha de bens é uma das partes mais importantes do divórcio. Ela depende, em boa medida, do regime de bens adotado no casamento, como a comunhão parcial, a comunhão universal ou a separação de bens. Cada regime trata de forma diferente o que entra na divisão.
É possível, inclusive, divorciar-se primeiro e deixar a partilha para um momento posterior, quando os cônjuges ainda não chegaram a um acordo sobre os bens. Nesses casos, o vínculo do casamento é desfeito, mas a discussão patrimonial continua até ser resolvida.
Vantagens da via extrajudicial
Quando os requisitos estão presentes, o divórcio em cartório costuma ser mais rápido e menos burocrático. Em cidades do interior, como na região de Piracanjuba e em Goiás, onde o acesso ao Judiciário pode ser mais lento, essa agilidade faz diferença. Além de economizar tempo, o procedimento consensual tende a reduzir o desgaste emocional, já que evita disputas prolongadas. Ainda assim, mesmo sendo um procedimento simplificado, ele exige documentos corretos e decisões importantes sobre bens e nome.
O divórcio consensual em cartório resolve o fim do casamento; questões envolvendo filhos menores podem exigir cuidado adicional e, em muitos casos, atuação da Justiça.
O papel da orientação jurídica
Mesmo nos divórcios mais simples, contar com orientação adequada evita erros que podem trazer problemas no futuro, como uma partilha mal feita ou cláusulas confusas. Como cada casal tem uma realidade diferente, o ideal é procurar um advogado para avaliar se o seu caso pode seguir pela via do cartório ou se será necessário recorrer à Justiça, e para conduzir o processo com segurança.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a orientação para o seu caso específico. Em caso de dúvida, fale com o escritório.